
Hoje você poderá conhecer melhor o candidato à prefeitura de Campos dos Goytacazes, professor Jefferson de Azevedo. Veja o que ele tem a dizer sobre o crescimento econômico da cidade.
A série de entrevistas “Seu voto, sua Voz” com candidatos à prefeitura surge como uma iniciativa para compreender as propostas e visões de cada um dentro de um contexto econômico. É fundamental que o eleitor tenha acesso a informações detalhadas sobre como cada candidato planeja enfrentar questões econômicas que impactam diretamente a vida da população. Durante essas entrevistas, serão feitas perguntas focadas em temas como geração de empregos, políticas de incentivo ao empreendedorismo, investimentos em infraestrutura e sustentabilidade fiscal. O objetivo é não apenas esclarecer as intenções dos candidatos, mas também fomentar um debate saudável sobre a importância de uma gestão pública que priorize o desenvolvimento econômico e o bem-estar da comunidade.
Campos dos Goytacazes está localizada entre duas capitais importantes do Brasil. Na sua visão, quais foram os principais obstáculos que impediram a criação de uma zona comercial robusta na cidade até hoje e como pretende criar uma?
Ao longo das últimas décadas, Campos dos Goytacazes vem, infelizmente, perdendo o seu protagonismo, devido à falta de políticas públicas que pensem o desenvolvimento econômico a médio e longo prazos. Falta efetivamente um ambiente favorável a novos negócios no comércio, indústria e serviços. Com uma visão muito imediatista, o município acaba perdendo oportunidades em função da falta de planejamento estratégico e criação das condições necessárias para atrair investimentos de fora e apoiar os que estão sendo criados dentro do município.
O Fundecam desperdiçou algo em torno de 400 milhões de reais de royalties na atração de empresas aleatoriamente, sem análise de capacidade financeira, resultando em oportunistas que, patrocinados por políticos, receberam empréstimos e sumiram com o dinheiro. Qual foi o principal erro? Ausência de planejamento que atraia empresas dentro de uma estratégia de crescimento econômico local e regional, integrada com os recursos produtivos locais/regionais – produção local, tradição e cultura produtiva, no campo e na cidade, pesquisa, C&T e P&D, das instituições superiores e técnicas de ensino – e sintonizados com as oportunidades nacionais; ou seja, o que vai ser produzido aqui tem que ter condições de competitividade, senão não vinga, não tem sustentabilidade no tempo.
Nós temos um projeto de curto, médio e longo prazo para Campos, não apenas visando ao momento atual, com uma política imediatista, que não pensa no futuro da nossa cidade e das novas gerações. O objetivo principal do nosso programa de governo é aumentar a empregabilidade do município, nosso grande problema social. Não podemos mais ter somente a prefeitura como principal empregadora, com contratos provisórios e frágeis para os trabalhadores, submetendo milhares de famílias a uma relação de quase escravidão.
Assim que assumirmos a prefeitura, vamos criar o Fundo Soberano de Campos, que terá critérios e resultados auditáveis e com transparência. Uma contrapartida para a atualização desses recursos é o emprego. Nosso principal ativo é a geração de emprego, além do pagamento em dia aos trabalhadores. Hoje Campos tem fornecido o que tem de melhor para outras cidades, que é nossa mão de obra qualificada. Estamos exportando cérebros e, com isso, levando também uma parte da nossa receita e do nosso futuro.
Quais são as suas propostas para atrair novas empresas para Campos e estimular o desenvolvimento econômico local? Em quanto tempo podemos começar a ver resultados concretos?
Tem que priorizar o fortalecimento e a constituição de cadeias naquilo em que temos vantagens comparativas e competitivas. Como exemplos, podemos citar:
- constituição de empresas a partir da expertise universitária regional, que ofereçam soluções para a pequena agricultura agroecológica e para o beneficiamento industrial dessa produção;
- constituição de empresas que se integrem e complementem as atividades do Complexo de Extração e Produção de Petróleo e Gás e dos Portos regionais – internalização de atividades econômicas que hoje são providas por empresas de fora, na indústria, nos serviços e na comercialização;
- perspectiva de diversificação produtiva, para enfrentar a vulnerabilidade e dependência em relação ao petróleo, gás e portos e garantir a sustentabilidade econômica dos projetos;
- orientação voltada para a integração entre atividades agropecuárias e agroindustriais, a partir do que existe e do que é da tradição, bem como para a integração com as atividades agropecuárias e agroindustriais existentes entre Italva e Rio das Ostras (ou seja, no NF + Rio das Ostras e Italva).
INTEGRAÇÃO, DIVERSIDADE, COMPLEMENTARIDADE E DIVERSIFICAÇÃO são as palavras-chave de um desenvolvimento sustentável no tempo e na viabilidade competitiva.
Com a consolidação do Porto do Açu como um dos maiores complexos portuários do Brasil, por que Campos ainda não sentiu impactos significativos desse empreendimento? Como sua gestão pretende aproveitar essa oportunidade?
As atividades do petróleo, gás e do Porto do Açu são sentidas em Campos por meio do aumento da especialização em serviços, construção civil, hospedagem, alimentação, transporte, armazenagem e distribuição, dentre outros específicos, nas áreas de informática, computação, etc. São atividades que hoje dependem dos grandes investimentos em Macaé e São João da Barra.
Campos, além de possuir a maior área territorial do Estado do Rio de Janeiro, possui a maior população dentre os municípios do Leste, Norte e Noroeste fluminenses, e tem uma situação logística privilegiada, por ser o entroncamento de duas rodovias federais (BR 101 e BR 356) e várias rodovias estaduais (RJs). Portanto, tem uma clara vocação para logística.
No entanto, o Porto do Açu ainda se apresenta como uma espécie de enclave no território, desenvolvendo a maior parte de suas atividades pautadas no isolamento territorial, social, político e econômico em relação aos municípios da região. Por isso, é preciso desenvolver mecanismos para a integração das atividades desenvolvida no Porto com a economia, sociedade, território e política locais e regionais, pela potencialidade que possui em se articular com a economia local, dinamizar cadeias produtivas, gerar complementaridades e integração.
Portanto, resumindo a resposta: falta articulação das administrações públicas e organizações sociais dos municípios da região, para elaborar e negociar um projeto que contemple os interesses do desenvolvimento local e regional, priorizando o desenvolvimento socioambiental e socioeconômico, democrático, distributivo e difundido pelos municípios. Ou seja, um desenvolvimento desconcentrado. É preciso construir um Pacto pelo Desenvolvimento entre o Porto e a sociedade de toda a região.
Com as iniciativas que você planeja, acredita que a cidade pode se desvincular da dependência dos royalties do petróleo? Essas novas fontes de receita seriam suficientes para garantir o funcionamento eficiente da máquina pública?
Apesar dos alertas dos estudiosos e pesquisadores locais e das propostas por estes apresentadas, todos os governos que o município teve, desde o início da exploração do petróleo e gás da Bacia de Campos, desperdiçaram mais de 30 bilhões de reais de royalties. Com o declínio e esgotamento iminente da produção, os valores em pouco tempo chegarão a próximo de zero. Os Fundos de Desenvolvimento que São João da Barra, Campos, Macaé, Quissamã e Rio das Ostras criaram não conseguiram criar um parque industrial diversificado e alternativo à economia do setor de óleo e gás da Bacia de Campos, nem estão se direcionando para construir alternativa à economia portuária regional.
A solução internacional, nacional e estadual, que a experiência consagrou, é a criação de Fundos Soberanos, como já fizeram Niterói, Maricá, Ilhabela e outros municípios, com as rendas petrolíferas, para constituir uma fonte anual de custeio e de investimentos no Projeto de Desenvolvimento Local e Regional, de uso imediato, mas também de médio e longo prazos, além de consistir numa reserva que equilibra o orçamento, contra oscilações, crises e emergências e permite uma previsão orçamentária segura.
Para evitar, por exemplo, o que está acontecendo com Campos: a falta de planejamento fez com que as obras dos governos municipais, nesse período, gerassem despesas de custeio, baseadas na arrecadação das rendas petrolíferas, que a Prefeitura já não tem como manter, porque não tem um fundo de reserva nem o principal: uma política de desenvolvimento alternativa que gere arrecadação própria (IPTU, ISS, ITBI e participações em fundos estaduais e federais) capazes de compensar a queda de arrecadação das rendas petrolíferas. Ou seja, o Fundo, associado ao Projeto de Desenvolvimento Local/Regional, é a única saída para a crise atual e para a sustentabilidade no tempo.
Quais são suas ideias para revitalizar a área central da cidade e resgatar o comércio local?
A exemplo de outras cidades de médio e grande portes, Campos dos Goytacazes vem experimentando um esvaziamento na região central da cidade, onde tradicionalmente se concentra o comércio. Entendemos que dois dos principais adversários para o comércio local atualmente são as compras pela internet a preços baixos e as grandes redes atacadistas de fora do município, que ficam com o dinheiro dos nossos consumidores, mas geram muito poucos empregos locais, assim como poucos benefícios sociais para a nossa população.
Temos diversas propostas para alavancar o comércio local e resgatar o protagonismo que o comércio de Campos sempre teve em toda a região. O principal destaque é nosso projeto de criar a Moeda Social, um programa social com recursos do próprio município, que vai impactar diretamente nos pequenos negócios não só no Centro da cidade, como também nos bairros e distritos, estimulando as compras locais e a prestação de serviços.
A intenção é fazer com que o dinheiro efetivamente circule dentro do município, aquecendo o consumo e ampliando o fomento aos empreendimentos locais e a geração de novos negócios nos setores de comércio e serviços, principalmente de micro e pequenas empresas e pequenos empreendedores que, segundo o Sebrae, são os principais geradores de emprego e renda no Brasil. A ideia é que todos os beneficiários dos programas sociais municipais e de incentivos econômicos recebam em Moeda Social, podendo gastar na própria localidade, fomentando a criação de empregos locais, fixando a nossa mão de obra e gerando riquezas.
Campos é uma cidade com grande potencial econômico, mas que convive com altos índices de pobreza. Quais medidas sua gestão tomará para reverter esse quadro e promover uma distribuição mais equitativa da riqueza na cidade?
De imediato a Prefeitura vai utilizar, ao máximo, os recursos, fundos e projetos sociais, educacionais, de saúde, moradia, transporte, transferência de renda, do Governo Federal, de diversos ministérios e autarquias – que o Prefeito atual não utiliza plenamente, por falta de projetos e por ser de partido diferente do Governo Federal, ou por estar inadimplente em prestação de contas. Além de ser do nosso partido, o Presidente Lula já me abriu todas as portas, desde já.
A questão mais grave, em Campos, é a situação da urbanização e dos transportes, dos bairros mais pobres, dos mais distantes, das favelas e dos distritos rurais. Falta tudo. Vamos prover toda a infraestrutura que os moradores dessas localidades têm Direito, pela Constituição Federal. Os mesmos direitos que os moradores dos bairros mais privilegiados da cidade de Campos possuem.
Mas vamos ter atenção especial com as milhares de famílias de trabalhadores que ainda sofrem com as dificuldades de alfabetização, de uma boa formação no ensino fundamental e profissionalizante, muitos prejudicados pelo fim do emprego na agroindústria sucroalcooleira. Grande parte desses trabalhadores não tem como se formar e se profissionalizar diante da luta diária pela sobrevivência, fazendo bicos e trabalhando sem carteira assinada e em condições precárias.
Vamos, junto com o Governo Federal, integrar programas que ofereçam condições econômicas para que esses trabalhadores possam frequentar o ensino fundamental, o profissionalizante e colaborar para que possam ter uma formação de nível médio.

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*Todas as respostas são publicadas na íntegra e de inteira responsabilidade dos candidatos*









































































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